Este é um poema muito conhecido dum grande poeta Português chamado António Gedeão, que também era professor. Na 5ª feira lemos um texto relacionado com o racismo, a Cristina escreveu o texto que publiquei antes deste, por isso, leiam mais este:
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
saudação
olá!
Boas vindas
Olá! este espaço é meu e teu, toca a escrever, deixar comentários, coisas de que gostem ou não, vamos escrever sobre nós todos, OK?
Acerca de mim
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Maths!
Boa resposta!
Matemática
Quem sabe traduzir?
sexta-feira, 1 de maio de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Poema do R
Tenho medo do mar
Medo de amar
De sofrer
E não me poder
Conter
E não poder mais
Voltar
De partir
E resolver desistir
De retornar
E não mais encontrar
De gritar
E ninguém me escutar
De morrer
Sem saber o que
É viver
A vida é feita de perdão
Não que seja uma ilusão
Errei tão facilmente
Me arrependi plenamente
Nem tudo posso falar …
Comigo não queres conversar
Desculpa-me se tenho errado
Espero ser perdoado
Essa noite eu
Sonhei com ela
E no meu olhar …
E no meu sonho
Tu estavas tão bonita
Tu estavas a sorrir
Teus olhos brilhantes
E o teu cabelo flutuava
Com o vento …
Eu acho que nos estávamos
No paraíso …
O azul do céu se confundia
Com o azul do mar
O verde da natureza
Era mais verde
A areia verde
A areia da praia cem
Vezes mais fina e mil vezes …
Mais branca, o vento
Dançavam com as
Ondas, e o sol
Aquecia
Em nossos pés
Ao anoitecer nos deitávamos
Sobre pétalas de rosas
Em busca de um amor
Perfeito.
Medo de amar
De sofrer
E não me poder
Conter
E não poder mais
Voltar
De partir
E resolver desistir
De retornar
E não mais encontrar
De gritar
E ninguém me escutar
De morrer
Sem saber o que
É viver
A vida é feita de perdão
Não que seja uma ilusão
Errei tão facilmente
Me arrependi plenamente
Nem tudo posso falar …
Comigo não queres conversar
Desculpa-me se tenho errado
Espero ser perdoado
Essa noite eu
Sonhei com ela
E no meu olhar …
E no meu sonho
Tu estavas tão bonita
Tu estavas a sorrir
Teus olhos brilhantes
E o teu cabelo flutuava
Com o vento …
Eu acho que nos estávamos
No paraíso …
O azul do céu se confundia
Com o azul do mar
O verde da natureza
Era mais verde
A areia verde
A areia da praia cem
Vezes mais fina e mil vezes …
Mais branca, o vento
Dançavam com as
Ondas, e o sol
Aquecia
Em nossos pés
Ao anoitecer nos deitávamos
Sobre pétalas de rosas
Em busca de um amor
Perfeito.
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Agostinho “ Verde Alface “
Esta é a história que a Adriana apresentou ao concurso do Supermercado Modelo, esperemos que ganhe!
GANHOU! GANHOU! GANHOU! PARABÉNS!!!
Quando entrou naquela casa, Agostinho nem sabia o que era um microondas.
Piedade lá lhe explicou que "aquela maquineta" (como Agostinho lhe chamara) servia para aquecer comida.
- Lá na nossa terra nem comida a gente tinha, quanto mais maquinetas para a aquecer! - respondeu Agostinho, muito sério.
E não se ficou só por ali. Também quis saber para que é que servia a máquina de lavar roupa, o frigorífico e a televisão.
Martinha ( a "irmã" dele) achava piada ao seu sotaque e à sua maneira de falar. Há muito tempo que queria um irmão. A mãe pensou e voltou a pensar. A resposta era sempre a mesma: " Que a vida estava difícil, ainda por cima em tempos de crise... Até que um dia, o pai chamou-a para jantar. A mãe, sentada à mesa, sorria. O pai estava com um ar muito misterioso. Até que, este, solta uma enorme gargalhada. Martinha perguntou, muito indignada:
- O que é que se passa?
A mãe sorriu e exclamou:
- Vais ter um irmão!
Martinha desatou a correr pela sala de jantar, agarrou-se à barriga da mãe e exclamou:
- Oh, esperei tanto por este dia. Finalmente vou ter um irmão!
Parou e pensou um pouco:
- É menino ou menina? Se for menina quero que se chame Margarida e se for menino quero que se chame João. Oh, que maravilha, até já sinto os seus pontapés. E ...enormes gargalhadas abafaram a sua voz.
O pai lá lhe explicou que a mãe não estava grávida, mas sim que eles iam adoptar uma criança.
Martinha ficou um pouco desanimada, mas quando viu Agostinho a chegar ao aeroporto, a alegria foi a mesma. Limitou-se apenas a dizer-lhe um olá, muito envergonhada. Mas bastou dois dias para serem grandes amigos. Afinal, não eram todas as crianças que tinham um irmão vindo de Cabo Verde, com um sotaque giríssimo e com um bronze de fazer inveja!
A noticia do novo membro da família espalhou-se pela aldeia rapidamente. A leiteira soube pela minha mãe, e o padeiro pelo meu pai. Não bastou muito para espalharem a noticia por toda a gente. Ainda antes de Agostinho ter posto os pés em casa, já ia cheio de chocolates, chupa-chupas, maças, pão e até uma garrafa de leite.
- Na minha terra, para comer um chocolate, é preciso fazer anos ou ser Natal. Cá caem do céu! - exclamou ele, com uma risada de felicidade.
Quando Agostinho entrou no seu quarto, da sua cara transbordava uma alegria imensa. Desde o papel de parede com bolas de futebol até a um pequeno bilhetinho que Martinha escrevera, na sua letra de primária mais perfeita, grande e redonda ( apesar de mesmo assim ser um pouco difícil de compreender ):
" Bem vindo ao teu novo lar e à tua nova família ".
Martinha olhou para Agostinho, muito orgulhosa da sua frase. Reparou que uma pequena lágrima lhe escorria pela face.
- Deve estar muito feliz - pensou.
Piedade preparara um jantar especial. Enquanto Marco comprava o leitão, Piedade fazia o arroz, e Martinha e Agostinho descascavam maçãs, laranjas e kiwis, para fazer uma salada de frutas.
Enquanto saboreavam a salada de frutas (- É a melhor que eu já comi!- disseram todos, em uníssono) Agostinho falou da sua terra. Da D. Kimbé, que curava todas as doenças. (Até curou a minha avó, depois de ser picada por um enxame de abelhas- relembrou ele, com uns olhos muito vivos.) do grande sábio Amadeu, que sabia as respostas de todas as perguntas, do Sr. Távora, que passava de mês a mês pela sua aldeia para vender Bd`s do Tio Patinhas, da sr. ª Maria Manuel, que ralhava sempre com ele por se enganar no troco.
- Era para ver se ganhava mais um dinheirito... -confessou ele, muito tímido.
Todos se desataram a rir.
Mas quando ele precisou de ir à casa de banho, aí é que teve piada. Não sabia como utilizar a retrete, nem sequer como puxar o autoclismo. Piedade explicou-lhe, com muita calma. Depressa aprendeu, pois Agostinho é um rapaz esperto e não queria fazer figura de bobo.
- Vá lá que aprendeu rápido, senão enganava-se e fazia as necessidades no bidé - pensou Martinha, tão feliz por aquele rapaz de olhos verdes ser seu irmão.
Agostinho agradava a todos.
Ajudara Marco a pintar a garagem e ajudava-o sempre a cortar a lenha quando Piedade teimava aquecer o borrego no forno de lenha que herdara do antigo restaurante da avó.
- Porquê aquecer o borrego no forno normal, quando temos um belíssimo forno de lenha? A comida até fica com outro sabor! - Teimava ela, fazendo de tudo para convencer Marco.
Jogava aos policias e ladrões com a Martinha, que gostava sempre de ser o polícia para ter a desculpa de usar o fato de carnaval que Piedade mandara fazer para Agostinho. Jogavam às cartas quando chovia, e quando fazia calor, faziam guerra de balões de água no terreno que havia em frente à casa.
Martinha sentia que aquele era o seu irmão de verdade.
Ajudava a "tia" Piedade ( que mais tarde iria passar a ser tratada por "mãe") nos trabalhos domésticos, e não só.
Piedade fazia bordados em toalhas, lenços e babetes ( nos tempos livres, pois a sua profissão era a de florista ), e não é que Agostinho também tinha jeito para a coisa?
Uma vez Martinha disse-lhe que ele já tinha futuro. Agostinho ficara todo ofendido, pois o seu grande sonho era ser um grande cientista.
Das primeiras coisas que fizeram quando Agostinho chegou a Portugal foi visitar Lisboa. Ele ficara encantado com aquela grande cidade. Foram ao museu da ciência, e foi aí que Agostinho descobriu que queria ser cientista. Adorou os mil e um frasquinhos de experiências, que faziam a água evaporar ou até mudar de cor. Mas depois veio um outro problema. Quando passou pela estátua do D. Afonso Henriques, Agostinho descobriu que também queria ser um herói.
Piedade lá lhe explicou que, se ele descobrisse a cura de uma doença muito grave, podia ser um grande cientista e um herói ao mesmo tempo, pois imensas pessoas já não iriam sofrer por causa disso.
Durante a viagem de carro até casa, enquanto saboreava um pastel de Belém, Agostinho imaginou tudo isso, e sentiu-se um verdadeiro herói, passando em todos os jornais e os canais de televisão. Até escolheu a cor da gravata que iria usar:
- Verde! Verde Alface! Pois era a cor preferida da minha avó. - lembrava Agostinho, com um ar muito importante.
Agostinho conheceu Maria Inácia quando foi a casa da tia Lúcia, que trabalhava na fábrica de pastilhas, ao fim do quarteirão.
Achou-a uma mulher bonita, de casaco verde (verde alface!), uma saia de renda castanha e uns brincos de ametista.
Quando Maria Inácia entrou em sua casa, dita como a sua nova explicadora de português, Agostinho nem queria acreditar. Disse-lhe um "oi", com o seu sotaque estrangeiro, e ela mostrou-lhe o sorriso mais bonito que alguma vez vira na sua vida.
Daí a uns tempo, ela era a sua confidente, talvez até como uma espécie de psicóloga. Era a pessoa a quem ele contava os seus medos e a sua vida em Cabo Verde.
Enquanto aprendia o antónimo de feio, recitava a história da "Libelinha que nunca voou sobre o mar", que tantas vezes a sua avó lhe lia para ele adormecer.
Segredou-lhe que a sua tia Antonieta fazia a melhor cachopa da aldeia, que era a única coisa que animava os homens lá da terra, depois de um dia de trabalho. Maria Inácia aproveitou para lhe perguntar que acentuação a palavra cachopa tinha, mas, antes de responder que cachopa era uma palavra grave, já Agostinho dizia:
- Mas era cachopa pobre, com pouca carne, pois a gente não tinha dinheiro para mais!
Maria Inácia ria-se, fazia-lhe uma festinha no seu cabelo negro, e continuava com a lição.
Uma vez, Agostinho falou-lhe da Bé, uma cadela vagabunda que vivia na sua aldeia em Cabo Verde. Largava pêlo por todo o lado e comia sempre o empadão de carne que a D. Amélia deixava no parapeito da janela, como se fosse uma tarte a arrefecer.
Pode dizer-se que a Bé foi a sua primeira paixão.
Maria Inácia foi a segunda, seguida da flor do terreno em frente da casa de Piedade, que tinha sido ali plantada, sem nenhuma companhia nem ninguém com quem brincar.
Muitas vezes, Agostinho contava-lhe as suas aventuras, a história do Gato das Botas, e a história da "Libelinha que nunca voou sobre o mar", a sua preferida de todas.
Quando a mãe de Piedade chegou lá a casa, Agostinho vestia uma camisola de lã vermelha com um grande " A" amarelo.
Quando chegou à estação de comboios, mesmo antes de dizer olá, a primeira coisa que D.Berta disse a Agostinho foi " Essa camisola é muito bonita".
Desde esse momento, Agostinho percebera que D.Berta era especial. Fora a avó de Cabo Verde que tricotara aquela camisola. Dera-lhe a lã a menina Manuela, que fora a Inglaterra e trouxera novelos para dar de presente a todas as velhinhas da aldeia. D.Constantina agradecera e de imediato começara a tricotar aquela camisola, de uma lã nunca vista em Cabo Verde. Tricotara dia e noite, e , nas suas rezas, prometera que daria aquela camisola a uma pessoa muito especial.
No dia em que a avó morreu, Agostinho vestiu-a e usa-a sempre em dias especiais.
D.Berta, como se conhecesse o seu novo neto desde sempre, dera-lhe a mão, e Agostinho pôs-se em bicos de pés para a beijar.
Já dentro do carro, Agostinho, Martinha e D.Berta falavam sobre que biscoitos iriam fazer, se o recheio era de amora ou morango, " pois o recheio demora a fazer e dá muito trabalho ", afirmara D.Berta, "e tem toda a razão" concordara Marta.
D.Berta tinha uns olhos pequenos mas muito bonitos, uns óculos de míope de cor verde, ( verde alface! ) uma boca fininha mas comprida, e as sardas faziam-na parecer uma menina de colégio.
Os bolos saíram um pouco queimados, mas mesmo assim estavam esplêndidos.
Quando Agostinho e D.Berta foram à boutique do fundo da rua comprar uma camisola de lã quente, (pois o Inverno estava prestes a chegar) não saíram de lá com uma camisola, mas sim com duas, pois a D.Rosa quis dar o seu contributo.
- Então o menino suja a camisola, e depois, como é? Tem que ter outra para usar no dia seguinte! - disse ela, sorridente, mas um pouco indignada pela recusa de D.Berta, com uma oferta tão boa.
D.Berta foi obrigada a ceder.
A casa estava com uma alegria diferente desde que Agostinho chegara. Coisas que não tinham muita importância, como um pedaço de chocolate ou uma fatia de bolo, agora eram uma tamanha riqueza.
Quando Agostinho e Martinha foram para a escola, de mãos dadas, com todas as pessoas a olharem para eles, Agostinho percebera que aquela sempre fora a sua família de verdade.
GANHOU! GANHOU! GANHOU! PARABÉNS!!!
Quando entrou naquela casa, Agostinho nem sabia o que era um microondas.
Piedade lá lhe explicou que "aquela maquineta" (como Agostinho lhe chamara) servia para aquecer comida.
- Lá na nossa terra nem comida a gente tinha, quanto mais maquinetas para a aquecer! - respondeu Agostinho, muito sério.
E não se ficou só por ali. Também quis saber para que é que servia a máquina de lavar roupa, o frigorífico e a televisão.
Martinha ( a "irmã" dele) achava piada ao seu sotaque e à sua maneira de falar. Há muito tempo que queria um irmão. A mãe pensou e voltou a pensar. A resposta era sempre a mesma: " Que a vida estava difícil, ainda por cima em tempos de crise... Até que um dia, o pai chamou-a para jantar. A mãe, sentada à mesa, sorria. O pai estava com um ar muito misterioso. Até que, este, solta uma enorme gargalhada. Martinha perguntou, muito indignada:
- O que é que se passa?
A mãe sorriu e exclamou:
- Vais ter um irmão!
Martinha desatou a correr pela sala de jantar, agarrou-se à barriga da mãe e exclamou:
- Oh, esperei tanto por este dia. Finalmente vou ter um irmão!
Parou e pensou um pouco:
- É menino ou menina? Se for menina quero que se chame Margarida e se for menino quero que se chame João. Oh, que maravilha, até já sinto os seus pontapés. E ...enormes gargalhadas abafaram a sua voz.
O pai lá lhe explicou que a mãe não estava grávida, mas sim que eles iam adoptar uma criança.
Martinha ficou um pouco desanimada, mas quando viu Agostinho a chegar ao aeroporto, a alegria foi a mesma. Limitou-se apenas a dizer-lhe um olá, muito envergonhada. Mas bastou dois dias para serem grandes amigos. Afinal, não eram todas as crianças que tinham um irmão vindo de Cabo Verde, com um sotaque giríssimo e com um bronze de fazer inveja!
A noticia do novo membro da família espalhou-se pela aldeia rapidamente. A leiteira soube pela minha mãe, e o padeiro pelo meu pai. Não bastou muito para espalharem a noticia por toda a gente. Ainda antes de Agostinho ter posto os pés em casa, já ia cheio de chocolates, chupa-chupas, maças, pão e até uma garrafa de leite.
- Na minha terra, para comer um chocolate, é preciso fazer anos ou ser Natal. Cá caem do céu! - exclamou ele, com uma risada de felicidade.
Quando Agostinho entrou no seu quarto, da sua cara transbordava uma alegria imensa. Desde o papel de parede com bolas de futebol até a um pequeno bilhetinho que Martinha escrevera, na sua letra de primária mais perfeita, grande e redonda ( apesar de mesmo assim ser um pouco difícil de compreender ):
" Bem vindo ao teu novo lar e à tua nova família ".
Martinha olhou para Agostinho, muito orgulhosa da sua frase. Reparou que uma pequena lágrima lhe escorria pela face.
- Deve estar muito feliz - pensou.
Piedade preparara um jantar especial. Enquanto Marco comprava o leitão, Piedade fazia o arroz, e Martinha e Agostinho descascavam maçãs, laranjas e kiwis, para fazer uma salada de frutas.
Enquanto saboreavam a salada de frutas (- É a melhor que eu já comi!- disseram todos, em uníssono) Agostinho falou da sua terra. Da D. Kimbé, que curava todas as doenças. (Até curou a minha avó, depois de ser picada por um enxame de abelhas- relembrou ele, com uns olhos muito vivos.) do grande sábio Amadeu, que sabia as respostas de todas as perguntas, do Sr. Távora, que passava de mês a mês pela sua aldeia para vender Bd`s do Tio Patinhas, da sr. ª Maria Manuel, que ralhava sempre com ele por se enganar no troco.
- Era para ver se ganhava mais um dinheirito... -confessou ele, muito tímido.
Todos se desataram a rir.
Mas quando ele precisou de ir à casa de banho, aí é que teve piada. Não sabia como utilizar a retrete, nem sequer como puxar o autoclismo. Piedade explicou-lhe, com muita calma. Depressa aprendeu, pois Agostinho é um rapaz esperto e não queria fazer figura de bobo.
- Vá lá que aprendeu rápido, senão enganava-se e fazia as necessidades no bidé - pensou Martinha, tão feliz por aquele rapaz de olhos verdes ser seu irmão.
Agostinho agradava a todos.
Ajudara Marco a pintar a garagem e ajudava-o sempre a cortar a lenha quando Piedade teimava aquecer o borrego no forno de lenha que herdara do antigo restaurante da avó.
- Porquê aquecer o borrego no forno normal, quando temos um belíssimo forno de lenha? A comida até fica com outro sabor! - Teimava ela, fazendo de tudo para convencer Marco.
Jogava aos policias e ladrões com a Martinha, que gostava sempre de ser o polícia para ter a desculpa de usar o fato de carnaval que Piedade mandara fazer para Agostinho. Jogavam às cartas quando chovia, e quando fazia calor, faziam guerra de balões de água no terreno que havia em frente à casa.
Martinha sentia que aquele era o seu irmão de verdade.
Ajudava a "tia" Piedade ( que mais tarde iria passar a ser tratada por "mãe") nos trabalhos domésticos, e não só.
Piedade fazia bordados em toalhas, lenços e babetes ( nos tempos livres, pois a sua profissão era a de florista ), e não é que Agostinho também tinha jeito para a coisa?
Uma vez Martinha disse-lhe que ele já tinha futuro. Agostinho ficara todo ofendido, pois o seu grande sonho era ser um grande cientista.
Das primeiras coisas que fizeram quando Agostinho chegou a Portugal foi visitar Lisboa. Ele ficara encantado com aquela grande cidade. Foram ao museu da ciência, e foi aí que Agostinho descobriu que queria ser cientista. Adorou os mil e um frasquinhos de experiências, que faziam a água evaporar ou até mudar de cor. Mas depois veio um outro problema. Quando passou pela estátua do D. Afonso Henriques, Agostinho descobriu que também queria ser um herói.
Piedade lá lhe explicou que, se ele descobrisse a cura de uma doença muito grave, podia ser um grande cientista e um herói ao mesmo tempo, pois imensas pessoas já não iriam sofrer por causa disso.
Durante a viagem de carro até casa, enquanto saboreava um pastel de Belém, Agostinho imaginou tudo isso, e sentiu-se um verdadeiro herói, passando em todos os jornais e os canais de televisão. Até escolheu a cor da gravata que iria usar:
- Verde! Verde Alface! Pois era a cor preferida da minha avó. - lembrava Agostinho, com um ar muito importante.
Agostinho conheceu Maria Inácia quando foi a casa da tia Lúcia, que trabalhava na fábrica de pastilhas, ao fim do quarteirão.
Achou-a uma mulher bonita, de casaco verde (verde alface!), uma saia de renda castanha e uns brincos de ametista.
Quando Maria Inácia entrou em sua casa, dita como a sua nova explicadora de português, Agostinho nem queria acreditar. Disse-lhe um "oi", com o seu sotaque estrangeiro, e ela mostrou-lhe o sorriso mais bonito que alguma vez vira na sua vida.
Daí a uns tempo, ela era a sua confidente, talvez até como uma espécie de psicóloga. Era a pessoa a quem ele contava os seus medos e a sua vida em Cabo Verde.
Enquanto aprendia o antónimo de feio, recitava a história da "Libelinha que nunca voou sobre o mar", que tantas vezes a sua avó lhe lia para ele adormecer.
Segredou-lhe que a sua tia Antonieta fazia a melhor cachopa da aldeia, que era a única coisa que animava os homens lá da terra, depois de um dia de trabalho. Maria Inácia aproveitou para lhe perguntar que acentuação a palavra cachopa tinha, mas, antes de responder que cachopa era uma palavra grave, já Agostinho dizia:
- Mas era cachopa pobre, com pouca carne, pois a gente não tinha dinheiro para mais!
Maria Inácia ria-se, fazia-lhe uma festinha no seu cabelo negro, e continuava com a lição.
Uma vez, Agostinho falou-lhe da Bé, uma cadela vagabunda que vivia na sua aldeia em Cabo Verde. Largava pêlo por todo o lado e comia sempre o empadão de carne que a D. Amélia deixava no parapeito da janela, como se fosse uma tarte a arrefecer.
Pode dizer-se que a Bé foi a sua primeira paixão.
Maria Inácia foi a segunda, seguida da flor do terreno em frente da casa de Piedade, que tinha sido ali plantada, sem nenhuma companhia nem ninguém com quem brincar.
Muitas vezes, Agostinho contava-lhe as suas aventuras, a história do Gato das Botas, e a história da "Libelinha que nunca voou sobre o mar", a sua preferida de todas.
Quando a mãe de Piedade chegou lá a casa, Agostinho vestia uma camisola de lã vermelha com um grande " A" amarelo.
Quando chegou à estação de comboios, mesmo antes de dizer olá, a primeira coisa que D.Berta disse a Agostinho foi " Essa camisola é muito bonita".
Desde esse momento, Agostinho percebera que D.Berta era especial. Fora a avó de Cabo Verde que tricotara aquela camisola. Dera-lhe a lã a menina Manuela, que fora a Inglaterra e trouxera novelos para dar de presente a todas as velhinhas da aldeia. D.Constantina agradecera e de imediato começara a tricotar aquela camisola, de uma lã nunca vista em Cabo Verde. Tricotara dia e noite, e , nas suas rezas, prometera que daria aquela camisola a uma pessoa muito especial.
No dia em que a avó morreu, Agostinho vestiu-a e usa-a sempre em dias especiais.
D.Berta, como se conhecesse o seu novo neto desde sempre, dera-lhe a mão, e Agostinho pôs-se em bicos de pés para a beijar.
Já dentro do carro, Agostinho, Martinha e D.Berta falavam sobre que biscoitos iriam fazer, se o recheio era de amora ou morango, " pois o recheio demora a fazer e dá muito trabalho ", afirmara D.Berta, "e tem toda a razão" concordara Marta.
D.Berta tinha uns olhos pequenos mas muito bonitos, uns óculos de míope de cor verde, ( verde alface! ) uma boca fininha mas comprida, e as sardas faziam-na parecer uma menina de colégio.
Os bolos saíram um pouco queimados, mas mesmo assim estavam esplêndidos.
Quando Agostinho e D.Berta foram à boutique do fundo da rua comprar uma camisola de lã quente, (pois o Inverno estava prestes a chegar) não saíram de lá com uma camisola, mas sim com duas, pois a D.Rosa quis dar o seu contributo.
- Então o menino suja a camisola, e depois, como é? Tem que ter outra para usar no dia seguinte! - disse ela, sorridente, mas um pouco indignada pela recusa de D.Berta, com uma oferta tão boa.
D.Berta foi obrigada a ceder.
A casa estava com uma alegria diferente desde que Agostinho chegara. Coisas que não tinham muita importância, como um pedaço de chocolate ou uma fatia de bolo, agora eram uma tamanha riqueza.
Quando Agostinho e Martinha foram para a escola, de mãos dadas, com todas as pessoas a olharem para eles, Agostinho percebera que aquela sempre fora a sua família de verdade.
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terça-feira, 28 de abril de 2009
as raparigas... de quem é que vou falar? das manas refilonas? (de quem mesmo é que estou a falar????) da Rafaela escritora? da Cristina escritora? de quem? elas e eles são todos(as) tão simpáticos(as) que o difícil é mesmo começar por um ou uma.
A ver se adivinham: do ano passado, a imagem que recordo da primeira vez que a vi, foi de estar a fazer exercícios de ginástica sem protecção, até fiquei um bocadinho preocupado, se lhe acontecesse alguma coisa podia aleijar-se e depois? este ano a imagem que tenho dela é de ser uma rapariga com uma expressão muito gira, muito conversadora se tiver alguém ao pé, os rapazes gostam bastante dela, está a fazer um esforço por melhorar o seu aproveitamento e comportamento, a pouco e pouco parece que está a conseguir... chama-se... (ela não gosta muito que eu lhe chame , prefere ): quem é?
há outra, muito (deixem-me corrigir: muuuuuuuuuuito!) calada, muito sossegadinha, muito compenetrada, tem nome de rainha - pronto! ela já sabe de quem estou a falar!- sorri às vezes, mas sempere com um ar envergonhado: quem é?
bem, podia ficar aqui a enumerar todas e todos os meus alunos do 6º G, mas prefiro resumir assim: gosto muito de vocês todos! a sério!
fico muito satisfeito quando consigo partilhar uma aula convosco, contar-vos histórias ou coisas que eu sei por já ser mais velho, ouvir o que têm para dizer...
e gostava muito que entrassem aqui nos comentários e respondessem ao que estou a escrever sobre vocês e a vossa turma!
A ver se adivinham: do ano passado, a imagem que recordo da primeira vez que a vi, foi de estar a fazer exercícios de ginástica sem protecção, até fiquei um bocadinho preocupado, se lhe acontecesse alguma coisa podia aleijar-se e depois? este ano a imagem que tenho dela é de ser uma rapariga com uma expressão muito gira, muito conversadora se tiver alguém ao pé, os rapazes gostam bastante dela, está a fazer um esforço por melhorar o seu aproveitamento e comportamento, a pouco e pouco parece que está a conseguir... chama-se... (ela não gosta muito que eu lhe chame , prefere ): quem é?
há outra, muito (deixem-me corrigir: muuuuuuuuuuito!) calada, muito sossegadinha, muito compenetrada, tem nome de rainha - pronto! ela já sabe de quem estou a falar!- sorri às vezes, mas sempere com um ar envergonhado: quem é?
bem, podia ficar aqui a enumerar todas e todos os meus alunos do 6º G, mas prefiro resumir assim: gosto muito de vocês todos! a sério!
fico muito satisfeito quando consigo partilhar uma aula convosco, contar-vos histórias ou coisas que eu sei por já ser mais velho, ouvir o que têm para dizer...
e gostava muito que entrassem aqui nos comentários e respondessem ao que estou a escrever sobre vocês e a vossa turma!
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Esta malta é simpática!
Este ano, em que sou professor pelo 33º ano, calhou-me ter uma turma, a que leccionei Inglês no ano anterior, a que lecciono Inglês e Português. 6º ano, turma G, malta fixe!
Descobri muita coisa nova sobre grande parte deles, coisas que se calhar, sendo só professor de Inglês, nunca suspeitaria: imaginem que o Rúben, aquele magricela com cara de adoentado-malandro, gosta de escrever poemas! Quem diria! Nas aulas está constantemente distraído, sentado torto, a catrapiscar o que os outros fazem, só para não ter de copiar ou escrever, ou outra coisa qualquer, relacionado com a aula. Ainda por cima, se lhe faço alguma pergunta, protesta logo: "ei!! eu?" e tem sempre a ideia que não sabe fazer nada! E é isto um poeta!
O Marcelo é outro que protesta sempre quando lhe faço perguntas: "eu? tem mesmo de ser?", e segue as pegadas do Rúben, na ideia que nunca sabe responder a nada! De onde é que tiraram esta ideia? Como é que lhes vou mostrar que estão errados? São rapazes como os outros, nem melhores nem piores, porque será que se acham sempre mais burros e ignorantes?
Podia continuar a falar dos rapazes castiços, como o Simão que chupa o fio do carapuço, o Hugo penteado em crista de galarote, o J namoradeiro...
mas não! agora vou comentar as raparigas
(fica para a próxima, espero para ver a vossa reacção!)
Descobri muita coisa nova sobre grande parte deles, coisas que se calhar, sendo só professor de Inglês, nunca suspeitaria: imaginem que o Rúben, aquele magricela com cara de adoentado-malandro, gosta de escrever poemas! Quem diria! Nas aulas está constantemente distraído, sentado torto, a catrapiscar o que os outros fazem, só para não ter de copiar ou escrever, ou outra coisa qualquer, relacionado com a aula. Ainda por cima, se lhe faço alguma pergunta, protesta logo: "ei!! eu?" e tem sempre a ideia que não sabe fazer nada! E é isto um poeta!
O Marcelo é outro que protesta sempre quando lhe faço perguntas: "eu? tem mesmo de ser?", e segue as pegadas do Rúben, na ideia que nunca sabe responder a nada! De onde é que tiraram esta ideia? Como é que lhes vou mostrar que estão errados? São rapazes como os outros, nem melhores nem piores, porque será que se acham sempre mais burros e ignorantes?
Podia continuar a falar dos rapazes castiços, como o Simão que chupa o fio do carapuço, o Hugo penteado em crista de galarote, o J namoradeiro...
mas não! agora vou comentar as raparigas
(fica para a próxima, espero para ver a vossa reacção!)
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