Amizade de várias cores…
Admito que ao princípio não acreditava num mundo com tantas raças, tantas cores…Não acreditava que um chinês, um brasileiro, um indiano, podiam-nos dar a mão quando mais precisamos…que todos partilhamos o mesmo mundo e por isso temos os mesmos direitos…Mas com uma história de amizade como esta talvez vos ajude a perceber o que percebi e a aprender o que eu aprendi…
Tudo começou no 1º dia de aulas quando a professora fez a chamada e um nome muito estranho nos chamou à atenção, chamava-se Duyálá, vinha de outro país, era um rapaz e depressa percebemos o porquê de se ter ido embora, pois o seu país estava em guerra e os seus pais tinham perdido tudo, e para não correrem mais riscos decidiram vir para Portugal.
Mas como sempre acontece as pessoas diferentes são excluídas, mesmo não as conhecendo, e nem pensamos duas vezes no que já passaram e no que estão a sentir. Por isso não hesitamos em gozar com o seu estranho nome. Quando tocou para o intervalo fomos todos a correr jogar futebol mas quando olhei para trás Duyálá andava devagar deixando escorrer dos seus olhos lágrimas de tristeza.
Talvez aí já eu percebesse o mal que lhe estávamos a fazer pois nessa altura só gozávamos com ele e eu não era excepção.
Os dias foram passando e Duyálá continuava sozinho sem falar com ninguém e chorando cada vez mais.
Para além de todos estes problemas Duyálá estava com muitos mais em casa.
Os pais estavam cada vez mais pobres e quase sem dinheiro para se alimentarem.
No dia em que a professora entregou os testes, para nosso grande espanto, a melhor nota da turma foi de Duyálá. Juntamente com o teste a professora deu-lhe um chocolate e os parabéns. Quando Duyálá viu e tocou no chocolate os seus olhos brilharam pois não comia chocolate desde que o seu país entrara em guerra.
No intervalo enquanto treinava futebol sozinha caí e aleijei-me…
Duyálá viu-me, e em vez de gozar comigo ou ignorar-me, pois sei que era isso que eu merecia pelo mal que lhe fiz, veio ao meu encontro e para me alegrar deu-me a coisa mais preciosa que tinha naquele momento: o seu chocolate, e com muito cuidado enrolou o seu casaco no meu joelho para proteger a ferida.
Com um ar muito admirado agradeci-lhe e pedi desculpa por todo o mal que lhe tinha feito. Enquanto partilhávamos o chocolate fomo-nos conhecendo melhor e aí percebi um amigo espectacular que estava a perder e aos poucos e poucos tornámo-nos amigos.
Partilhámos um abraço que admito que nunca esquecerei pois sabia que tinha começado uma grande amizade.
A certa altura uma frase estranha saiu da boca de Duyálá “A nossa amizade começou aqui mas tenho pena de já ter um fim” sinceramente não percebi mas pensei que seria por ele ser diferente.
Os meus amigos viram-me caída no chão ao lado de Duyálá e foram ter comigo para
perceber o que se passava.
Contei-lhes tudo e eles apenas fizeram uma cara de admiração mas ao mesmo tempo sei que sentiram o que senti, um nó na garganta, de arrependimento por toda a dor e as lágrimas que Duyálá tinha deixado escorrer pela cara apenas por racismo e insensibilidade nossa antes.
Quando olhei para o lado Duyálá tinha desaparecido…com aquela confusão toda nem
tínhamos reparado.
Olhámos uns para os outros e pensámos que a melhor maneira para provar o nosso arrependimento era pedir-lhe desculpa… Separámo-nos para procurar Duyálá …
Direita, esquerda, em todos os lados procurámo-lo mas não estava em lado nenhum…
A nossa última hipótese era ir ter com a professora…
E foi o que fizémos…
Perguntámos à professora onde estava o Duyálá pois não o encontrávamos em lado nenhum. Ela fez um momento de silêncio e em seguida explicou-nos o que se passava…Duyálá ia partir da escola e de Portugal pois a guerra do seu país tinha acabado e ele ia voltar para casa e para a sua família pois lá ia ser feliz.
Rapidamente me lembrei da frase de Duyálá “A nossa amizade começou aqui mas tenho pena de já ter um fim”.
A todos nós uma lágrima escorreu pela cara.
Uma lágrima que significava as saudades que íamos sentir e o aperto no coração por sabermos que íamos perder um amigo que nunca tínhamos sabido ter.
Nesse momento jurámos nunca mais fazer o mesmo com mais ninguém pois não queríamos voltar a sentir o que sentíamos naquele momento.
Pois uma das piores sensações que se pode sentir é perder um amigo e o pior é que sabíamos que o único tempo em que estivemos com ele só soubemos apontar-lhe o dedo e fazer com que ele sentisse que ser diferente é mau.
Mas rapidamente nos surgiu a ideia de nos despedirmos de Duyálá…
No dia seguinte estávamos todos à espera no aeroporto para reencontrar Duyálá.
Duyálá veio ao meu encontro e, ao estarmos frente a frente, abracei-o.
Em seguida dei-lhe uma bola para marcar golos por mim, o casaco para ajudar mais pessoas como me ajudou a mim e um chocolate para lhe agradecer por tudo o que me fez e provar que a nossa amizade não tem fim, pois não seriam os quilómetros de distância que iram impedir nem apagar as recordações.
Ele prometeu nunca mais dar importância aos comentários dos outros e ter sempre a certeza que era especial para nós.
E nós prometemos nunca mais excluir ninguém e agora recebemos toda a gente de braços abertos independentemente da sua cor ou raça.
E depois disto infelizmente chegou a hora de Duyálá partir…
Com um abraço entre todos prometemos ser amigos para sempre.
Todos nós acenámos para dizer adeus e a escorrer lágrimas desejámos que ele fosse feliz pois merece.
E foi assim o final da história que vos queria contar…
Sabem: nem sempre acaba bem por isso não cometam este erro com esperança que tenha um final feliz pois não arrisquem perder um amigo ou nem arrisquem sequer a não se ganhar pois as aparências iludem.
Ainda não acabou… tenho novidades para vos contar: sabem, todos os dias falo com o Duyálá e ele diz que está muito feliz com toda a família, e ganhou um prémio para melhor aluno na escola, e como os pais já arranjaram emprego vem cá passar férias no Verão.
Viram, eu disse que a nossa amizade não ia ter fim...
E foi assim que começou a minha primeira mas não última amizade de várias cores…
Admito que ao princípio não acreditava num mundo com tantas raças, tantas cores…Não acreditava que um chinês, um brasileiro, um indiano, podiam-nos dar a mão quando mais precisamos…que todos partilhamos o mesmo mundo e por isso temos os mesmos direitos…Mas com uma história de amizade como esta talvez vos ajude a perceber o que percebi e a aprender o que eu aprendi…
Tudo começou no 1º dia de aulas quando a professora fez a chamada e um nome muito estranho nos chamou à atenção, chamava-se Duyálá, vinha de outro país, era um rapaz e depressa percebemos o porquê de se ter ido embora, pois o seu país estava em guerra e os seus pais tinham perdido tudo, e para não correrem mais riscos decidiram vir para Portugal.

Mas como sempre acontece as pessoas diferentes são excluídas, mesmo não as conhecendo, e nem pensamos duas vezes no que já passaram e no que estão a sentir. Por isso não hesitamos em gozar com o seu estranho nome. Quando tocou para o intervalo fomos todos a correr jogar futebol mas quando olhei para trás Duyálá andava devagar deixando escorrer dos seus olhos lágrimas de tristeza.
Talvez aí já eu percebesse o mal que lhe estávamos a fazer pois nessa altura só gozávamos com ele e eu não era excepção.
Os dias foram passando e Duyálá continuava sozinho sem falar com ninguém e chorando cada vez mais.
Para além de todos estes problemas Duyálá estava com muitos mais em casa.
Os pais estavam cada vez mais pobres e quase sem dinheiro para se alimentarem.
No dia em que a professora entregou os testes, para nosso grande espanto, a melhor nota da turma foi de Duyálá. Juntamente com o teste a professora deu-lhe um chocolate e os parabéns. Quando Duyálá viu e tocou no chocolate os seus olhos brilharam pois não comia chocolate desde que o seu país entrara em guerra.
No intervalo enquanto treinava futebol sozinha caí e aleijei-me…
Duyálá viu-me, e em vez de gozar comigo ou ignorar-me, pois sei que era isso que eu merecia pelo mal que lhe fiz, veio ao meu encontro e para me alegrar deu-me a coisa mais preciosa que tinha naquele momento: o seu chocolate, e com muito cuidado enrolou o seu casaco no meu joelho para proteger a ferida.
Com um ar muito admirado agradeci-lhe e pedi desculpa por todo o mal que lhe tinha feito. Enquanto partilhávamos o chocolate fomo-nos conhecendo melhor e aí percebi um amigo espectacular que estava a perder e aos poucos e poucos tornámo-nos amigos.
Partilhámos um abraço que admito que nunca esquecerei pois sabia que tinha começado uma grande amizade.
A certa altura uma frase estranha saiu da boca de Duyálá “A nossa amizade começou aqui mas tenho pena de já ter um fim” sinceramente não percebi mas pensei que seria por ele ser diferente.
Os meus amigos viram-me caída no chão ao lado de Duyálá e foram ter comigo para
perceber o que se passava.
Contei-lhes tudo e eles apenas fizeram uma cara de admiração mas ao mesmo tempo sei que sentiram o que senti, um nó na garganta, de arrependimento por toda a dor e as lágrimas que Duyálá tinha deixado escorrer pela cara apenas por racismo e insensibilidade nossa antes.
Quando olhei para o lado Duyálá tinha desaparecido…com aquela confusão toda nem
tínhamos reparado.
Olhámos uns para os outros e pensámos que a melhor maneira para provar o nosso arrependimento era pedir-lhe desculpa… Separámo-nos para procurar Duyálá …
Direita, esquerda, em todos os lados procurámo-lo mas não estava em lado nenhum…
A nossa última hipótese era ir ter com a professora…
E foi o que fizémos…
Perguntámos à professora onde estava o Duyálá pois não o encontrávamos em lado nenhum. Ela fez um momento de silêncio e em seguida explicou-nos o que se passava…Duyálá ia partir da escola e de Portugal pois a guerra do seu país tinha acabado e ele ia voltar para casa e para a sua família pois lá ia ser feliz.
Rapidamente me lembrei da frase de Duyálá “A nossa amizade começou aqui mas tenho pena de já ter um fim”.
A todos nós uma lágrima escorreu pela cara.
Uma lágrima que significava as saudades que íamos sentir e o aperto no coração por sabermos que íamos perder um amigo que nunca tínhamos sabido ter.
Nesse momento jurámos nunca mais fazer o mesmo com mais ninguém pois não queríamos voltar a sentir o que sentíamos naquele momento.
Pois uma das piores sensações que se pode sentir é perder um amigo e o pior é que sabíamos que o único tempo em que estivemos com ele só soubemos apontar-lhe o dedo e fazer com que ele sentisse que ser diferente é mau.
Mas rapidamente nos surgiu a ideia de nos despedirmos de Duyálá…
No dia seguinte estávamos todos à espera no aeroporto para reencontrar Duyálá.
Duyálá veio ao meu encontro e, ao estarmos frente a frente, abracei-o.
Em seguida dei-lhe uma bola para marcar golos por mim, o casaco para ajudar mais pessoas como me ajudou a mim e um chocolate para lhe agradecer por tudo o que me fez e provar que a nossa amizade não tem fim, pois não seriam os quilómetros de distância que iram impedir nem apagar as recordações.
Ele prometeu nunca mais dar importância aos comentários dos outros e ter sempre a certeza que era especial para nós.
E nós prometemos nunca mais excluir ninguém e agora recebemos toda a gente de braços abertos independentemente da sua cor ou raça.
E depois disto infelizmente chegou a hora de Duyálá partir…
Com um abraço entre todos prometemos ser amigos para sempre.
Todos nós acenámos para dizer adeus e a escorrer lágrimas desejámos que ele fosse feliz pois merece.
E foi assim o final da história que vos queria contar…
Sabem: nem sempre acaba bem por isso não cometam este erro com esperança que tenha um final feliz pois não arrisquem perder um amigo ou nem arrisquem sequer a não se ganhar pois as aparências iludem.
Ainda não acabou… tenho novidades para vos contar: sabem, todos os dias falo com o Duyálá e ele diz que está muito feliz com toda a família, e ganhou um prémio para melhor aluno na escola, e como os pais já arranjaram emprego vem cá passar férias no Verão.
Viram, eu disse que a nossa amizade não ia ter fim...
E foi assim que começou a minha primeira mas não última amizade de várias cores…