Nunca se esquecem os amigos verdadeiros
Capítulo 1: Não sei onde estou, de onde vim, nem porque estou aqui!
Esta sou eu. Uma menina perdida na imaginação. Num mundo mais de sonhos do que de pesadelos.
Uma menina só numa ilha deserta. Onde não existe nada nem ninguém. Acho eu! A ver a maré com peixes cor-de-rosa e golfinhos cor-de-laranja. Algas azuis e água roxa.
Um pôr-do-sol vermelho com um fundo verde. Sem um amigo. Mas sinto que já cá estive.
Sei que vocês, que estão a ler este texto, estão a achar estranho eu de repente dizer que não conheço nada nem ninguém. Eu até podia explicar tudo mas nem eu própria sei. Acreditem que não é nada bom não saber nada. Nem onde estás, nem de onde és, porque estás neste sítio. É tão mau que não o desejo a ninguém. Eu sou Esperança e como disse há pouco, sou só uma menina perdida num mundo de imaginação, sem amigos nem ninguém.
Queria dizer uma coisa. Há uns dias ouvi uma voz que hoje ouvi de novo mas era em código.
Dizia:
21 1 9 / 1 14 / 14 20 19 17 14 / 11 1 4 14 / 4 1 / 9 11 8 1
Decifrando o código…
Vai / ao / outro / lado / da / ilha
Capítulo 2: O outro lado da ilha
Pensei que estava sozinha na ilha, pareceu-me ter ouvido uma voz a chamar-me mas penso que seja impossível porque ninguém sabe quem eu sou...
Segui a voz que me chamava e fui dar ao outro lado da ilha. Encontrei uma quinta grande com estábulos amarelos, vacas verdes às manchas laranjas, galinhas azuis, porcos vermelhos, pintainhos pretos e um animal que se destacava à distância, um lindo cavalo cor-de-rosa com o rabo dourado, nunca tinha visto nada igual. Reparei nas ferraduras dele, eram prateadas com riscas cor-de-rosa. É impressionante a forma como ele olhava para mim. Mas de quem seriam estes lindos e estranhos animais?
- Olá Esperança, estávamos à tua espera há muitos anos. Eu sou Pérola, a égua do futuro.
- Mas como é que… Mas vocês…
-Calma, eu explico tudo. Lembras-te daquela voz em código que tu ouviste?
- Voz? Que voz? Mmmmh. Ah, já sei, lembro-me sim.
- Sabes quem era? Era eu!
- Como assim? - disse eu para Pérola com um ar de admirada.
- Como te tinha dito há um bocado eu não sou uma égua normal, eu… ah! Espera, acho que me esqueci de ir buscar comida para a minha bebé. Importas-te de esperar um bocadinho?
- Claro que não me importo, vai lá.
- Ok, então até já. Lamipoiou.
- O quê?
- Lamipoiou.
- Que raio de palavra é essa?
- Quer dizer “adeus”, mas só dizemos esta palavra para pessoas importantes.
- Ah ok! Importantes? Ela disse mesmo importantes? Espera, explica-me uma coisa. Eu sou importante?
-Falamos sobre isso depois. Adeus.
- Oh, adeus – disse eu muito aborrecida.
E assim foi. Aqui fiquei muito, muito, muito tempo à espera da Pérola. Eu queria tanto descobrir quem era a Pérola. E que raio de palavra era aquela? “ Lamipoiou”. Nunca tinha ouvido nada parecido. Será que eu sou mesmo importante? Duvido. Eu não sou ninguém. Mas sinto que já cá estive antes. E quando vi a Pérola reconheci-a de algum lado. É estranha esta sensação de não conhecer nada nem ninguém. Acho que estou a ouvir qualquer coisa.
-Esperança, sou eu a Pérola, preciso muito da tua ajuda. A minha bebé, a Flora, DESAPARECEU e se a encontrares, vai ter à árvore dos Ferimentos. Lá me encontrarás. Obrigado e adeus.
Já era a altura do pôr-do-sol. Como brilhava o vermelho e o verde nas nuvens! Mas, lá mais para a frente, havia uma luz brilhante muito pequena. Eu fui andando, andando e quando cheguei lá descobri que era…
- Flora, encontrei-te! A tua mãe anda louca à tua procura.
- Olhá! Eu xou a Flhora! Nhão lhiguex à minha foma de falha. Eu falho axxim poque xou BEBÉ. Tudo bem vamos para a árvore dos ferimentos.
- A ávore dox ferimentox?
- Sim, foi a tua mãe que disse para ir para lá.
- Thudo bem bamox para lá.
Quando chegámos à tal árvore de que Pérola falara, eu senti que era a minha casa, mas, claro que não era. Mesmo encostada à árvore havia uma…
- Uma estátua minha? – disse eu muito impressionada
- Xim todas ax pexxoax que a minha mamã goxta muito, têm uma extátua.
- Podes explicar-me isso?
- Eu explico? - disse Pérola aparecendo de repente – Nós somos as melhores amigas apesar de já terem passado muitos anos. É uma amizade enorme, por isso é que tu reconheces tudo isto. Eu sou a tua melhor amiga, tu és madrinha da Flora, eu sou rainha de Imaginolândia e esta é a tua casa.
- O quê? Então e a minha família?
- Eles foram uma família enviada por mim para serem teus pais adoptivos. E sabes porquê? Porque há mil anos atrás houve uma guerra. A revolução dos pesadelos contra os sonhos (nós). Foi horrível. Eu enviei-te para a Terra porque percebi que só lá estavas segura e que aqui estavas em perigo. Custou-me tanto deixar-te partir mas foi a única maneira de te salvar.
- Mas porque é que eu não me lembro de nada?
- Porque tens um feitiço sobre ti…
- Um feitiço? – disse eu muito admirada.
- Sim. A lenda diz que se duas melhores amigas se separarem, uma delas indo para outra terra, esquece-se de tudo sobre o passado, mas se voltar a entrar na ilha e vir a melhor amiga, volta tudo ao normal.
- Por isso é que eu me lembrei da Flora e da árvore dos Ferimentos.
- Sim, mas hoje à meia-noite vais lembrar-te de tudo.
E assim foi. Era quase meia-noite e eu e a Pérola fomos para o Rio dos milagres onde tudo tinha acontecido.
À meia-noite, ouviram-se os sons dos grilos e viu-se a luz dos pirilampos.
De repente lembrei-me de tudo. De todos os momentos que tinha passado com Pérola e com Flora.
- Pérola, que foi feito da Popstar? – pergunto eu como se já me lembrasse das coisas há muito tempo.
- Olá Esperança. Uauuu! Estás linda. Mas não tanto como eu, claro. Queres ir a uma festa super popular comigo? – disse Popstar aparecendo de repente.
- Claro Popstar, isso nem se pergunta. Adeus Pérola. Adeus Flora.
- Adeus Esperança – disse Pérola muito aborrecida.
- Adheux experanxa – disse Flora com aquela forma engraçada de falar.
Lá mais para a frente, a Popstar convidou-me para milhares de coisas. Ou festas, ou festas, ou festas, ou festas. E só por causa dessas tais festas ela era SUPER popular. Por isso decidi passar os dias todos com ela. Talvez até pudesse ficar como ela. Mas não me estava a aperceber de uma coisa muito grave. Já tinha passado uma semana e ainda não tinha falado com Pérola. Então decidi ir até à casa dela.
- Olá Pérola!
- Como é que tu foste capaz de trocar a tua melhor amiga por uma Popstar? – disse Pérola muito chateada comigo.
- Só não te visitei durante uma semana!
- Uma semana? Passou um mês. Viste no que te tornaste? Há posters teus por todo o lado.
Percebi que tinha feito asneira. Percebi realmente quem eram os amigos verdadeiros. Por isso pedi perdão a Pérola e ela perdoou. E o próximo passo foi arrancar todos os posters que havia e que eram meus.
- Pérola, percebi uma coisa.
- O quê?
- Que os amigos verdadeiros nunca se esquecem porque são verdadeiros. Não falsos, que só precisam de nós para nos estragar a vida e perdermos mais, e mais, e mais amigos. Por isso preferia ser reconhecida no mundo por A VERDADEIRA do que por POPULAR.
FIM
Capítulo 1: Não sei onde estou, de onde vim, nem porque estou aqui!
Esta sou eu. Uma menina perdida na imaginação. Num mundo mais de sonhos do que de pesadelos.
Uma menina só numa ilha deserta. Onde não existe nada nem ninguém. Acho eu! A ver a maré com peixes cor-de-rosa e golfinhos cor-de-laranja. Algas azuis e água roxa.
Um pôr-do-sol vermelho com um fundo verde. Sem um amigo. Mas sinto que já cá estive.
Sei que vocês, que estão a ler este texto, estão a achar estranho eu de repente dizer que não conheço nada nem ninguém. Eu até podia explicar tudo mas nem eu própria sei. Acreditem que não é nada bom não saber nada. Nem onde estás, nem de onde és, porque estás neste sítio. É tão mau que não o desejo a ninguém. Eu sou Esperança e como disse há pouco, sou só uma menina perdida num mundo de imaginação, sem amigos nem ninguém.
Queria dizer uma coisa. Há uns dias ouvi uma voz que hoje ouvi de novo mas era em código.
Dizia:
21 1 9 / 1 14 / 14 20 19 17 14 / 11 1 4 14 / 4 1 / 9 11 8 1
Decifrando o código…
Vai / ao / outro / lado / da / ilha
Capítulo 2: O outro lado da ilha
Pensei que estava sozinha na ilha, pareceu-me ter ouvido uma voz a chamar-me mas penso que seja impossível porque ninguém sabe quem eu sou...
Segui a voz que me chamava e fui dar ao outro lado da ilha. Encontrei uma quinta grande com estábulos amarelos, vacas verdes às manchas laranjas, galinhas azuis, porcos vermelhos, pintainhos pretos e um animal que se destacava à distância, um lindo cavalo cor-de-rosa com o rabo dourado, nunca tinha visto nada igual. Reparei nas ferraduras dele, eram prateadas com riscas cor-de-rosa. É impressionante a forma como ele olhava para mim. Mas de quem seriam estes lindos e estranhos animais?
- Olá Esperança, estávamos à tua espera há muitos anos. Eu sou Pérola, a égua do futuro.
- Mas como é que… Mas vocês…
-Calma, eu explico tudo. Lembras-te daquela voz em código que tu ouviste?
- Voz? Que voz? Mmmmh. Ah, já sei, lembro-me sim.
- Sabes quem era? Era eu!
- Como assim? - disse eu para Pérola com um ar de admirada.
- Como te tinha dito há um bocado eu não sou uma égua normal, eu… ah! Espera, acho que me esqueci de ir buscar comida para a minha bebé. Importas-te de esperar um bocadinho?
- Claro que não me importo, vai lá.
- Ok, então até já. Lamipoiou.
- O quê?
- Lamipoiou.
- Que raio de palavra é essa?
- Quer dizer “adeus”, mas só dizemos esta palavra para pessoas importantes.
- Ah ok! Importantes? Ela disse mesmo importantes? Espera, explica-me uma coisa. Eu sou importante?
-Falamos sobre isso depois. Adeus.
- Oh, adeus – disse eu muito aborrecida.
E assim foi. Aqui fiquei muito, muito, muito tempo à espera da Pérola. Eu queria tanto descobrir quem era a Pérola. E que raio de palavra era aquela? “ Lamipoiou”. Nunca tinha ouvido nada parecido. Será que eu sou mesmo importante? Duvido. Eu não sou ninguém. Mas sinto que já cá estive antes. E quando vi a Pérola reconheci-a de algum lado. É estranha esta sensação de não conhecer nada nem ninguém. Acho que estou a ouvir qualquer coisa.
-Esperança, sou eu a Pérola, preciso muito da tua ajuda. A minha bebé, a Flora, DESAPARECEU e se a encontrares, vai ter à árvore dos Ferimentos. Lá me encontrarás. Obrigado e adeus.
Já era a altura do pôr-do-sol. Como brilhava o vermelho e o verde nas nuvens! Mas, lá mais para a frente, havia uma luz brilhante muito pequena. Eu fui andando, andando e quando cheguei lá descobri que era…
- Flora, encontrei-te! A tua mãe anda louca à tua procura.
- Olhá! Eu xou a Flhora! Nhão lhiguex à minha foma de falha. Eu falho axxim poque xou BEBÉ. Tudo bem vamos para a árvore dos ferimentos.
- A ávore dox ferimentox?
- Sim, foi a tua mãe que disse para ir para lá.
- Thudo bem bamox para lá.
Quando chegámos à tal árvore de que Pérola falara, eu senti que era a minha casa, mas, claro que não era. Mesmo encostada à árvore havia uma…
- Uma estátua minha? – disse eu muito impressionada
- Xim todas ax pexxoax que a minha mamã goxta muito, têm uma extátua.
- Podes explicar-me isso?
- Eu explico? - disse Pérola aparecendo de repente – Nós somos as melhores amigas apesar de já terem passado muitos anos. É uma amizade enorme, por isso é que tu reconheces tudo isto. Eu sou a tua melhor amiga, tu és madrinha da Flora, eu sou rainha de Imaginolândia e esta é a tua casa.
- O quê? Então e a minha família?
- Eles foram uma família enviada por mim para serem teus pais adoptivos. E sabes porquê? Porque há mil anos atrás houve uma guerra. A revolução dos pesadelos contra os sonhos (nós). Foi horrível. Eu enviei-te para a Terra porque percebi que só lá estavas segura e que aqui estavas em perigo. Custou-me tanto deixar-te partir mas foi a única maneira de te salvar.
- Mas porque é que eu não me lembro de nada?
- Porque tens um feitiço sobre ti…
- Um feitiço? – disse eu muito admirada.
- Sim. A lenda diz que se duas melhores amigas se separarem, uma delas indo para outra terra, esquece-se de tudo sobre o passado, mas se voltar a entrar na ilha e vir a melhor amiga, volta tudo ao normal.
- Por isso é que eu me lembrei da Flora e da árvore dos Ferimentos.
- Sim, mas hoje à meia-noite vais lembrar-te de tudo.
E assim foi. Era quase meia-noite e eu e a Pérola fomos para o Rio dos milagres onde tudo tinha acontecido.
À meia-noite, ouviram-se os sons dos grilos e viu-se a luz dos pirilampos.
De repente lembrei-me de tudo. De todos os momentos que tinha passado com Pérola e com Flora.
- Pérola, que foi feito da Popstar? – pergunto eu como se já me lembrasse das coisas há muito tempo.
- Olá Esperança. Uauuu! Estás linda. Mas não tanto como eu, claro. Queres ir a uma festa super popular comigo? – disse Popstar aparecendo de repente.
- Claro Popstar, isso nem se pergunta. Adeus Pérola. Adeus Flora.
- Adeus Esperança – disse Pérola muito aborrecida.
- Adheux experanxa – disse Flora com aquela forma engraçada de falar.
Lá mais para a frente, a Popstar convidou-me para milhares de coisas. Ou festas, ou festas, ou festas, ou festas. E só por causa dessas tais festas ela era SUPER popular. Por isso decidi passar os dias todos com ela. Talvez até pudesse ficar como ela. Mas não me estava a aperceber de uma coisa muito grave. Já tinha passado uma semana e ainda não tinha falado com Pérola. Então decidi ir até à casa dela.
- Olá Pérola!
- Como é que tu foste capaz de trocar a tua melhor amiga por uma Popstar? – disse Pérola muito chateada comigo.
- Só não te visitei durante uma semana!
- Uma semana? Passou um mês. Viste no que te tornaste? Há posters teus por todo o lado.
Percebi que tinha feito asneira. Percebi realmente quem eram os amigos verdadeiros. Por isso pedi perdão a Pérola e ela perdoou. E o próximo passo foi arrancar todos os posters que havia e que eram meus.
- Pérola, percebi uma coisa.
- O quê?
- Que os amigos verdadeiros nunca se esquecem porque são verdadeiros. Não falsos, que só precisam de nós para nos estragar a vida e perdermos mais, e mais, e mais amigos. Por isso preferia ser reconhecida no mundo por A VERDADEIRA do que por POPULAR.
FIM